quarta-feira, 25 de julho de 2012

INSINUAÇÕES DA PAISAGEM E A CONSTÂNCIA DO OLHAR



O amor é como a roseira plantada no jardim. Com o tempo vem a chuva forte, vem o sol causticante, vem os ventos de verão.
Nós que o cultivamos somos os responsáveis pela sua vida. Pelos dias em ele floresce com mais intensidade e pelos dias que nos esquecemos de regá-lo e amanhece murcho, pálido de carinhos e com cores nostálgicas.
Amar é devoção.
Amor é fruto.
Amar é ter a sabedoria de fazer a estação propícia para a colheita, e saber separar dos melhores frutos colhidos as sementes para que sejam prósperos os cultivos ao longo da vida.
Amar é um cheiro vindo do pomar.
Amor é vigia para que o pássaro nunca perca seu ninho.
O beija-flor nunca esquecerá o caminho do jardim.





segunda-feira, 7 de maio de 2012

EU NESSA ESTAÇÃO DE OLHOS TRISTES


Quantas vezes o amor deve acontecer em toda uma vida?
Tudo foi só um livro mal interpretado, não amei a verdadeira história porque ela não teve final feliz.
Descobri que meus dias felizes não passaram de um cenário armado, só uma cena diante de toda uma vida.
Hoje cada instante é um rascunho amassado de coisas que tento decifrar, e até os frutos mais amargos daquele pomar hoje seriam doces para mim.
Sinto meu corpo desmembrado e espalhado pelos quatro cantos do mundo.
Meus olhos observam os primeiros raios de sol penetrar no capinzal e, no jardim as cores se insinuam fortes cheias de sonhos.
O som dos meus passos se espalham leves no percorrer de um caminho deserto.
A minha vida acontece e se evapora, como o som que se perde no silêncio, esse silêncio devastador que existi aqui dentro.
Meus dedos acariciam levemente a face molhada do tempo, e esse tempo se desfaz na ternura que ainda existi na minha lembrança inundada de lágrimas.
Eu sou alguém que dorme um sono de alguém que morre.
Eu tinha alguém que enquanto dormia, eu ouvia seu coração. Hoje eu não ouço nem o meu próprio pulsar.
Que a noite chegue e que nunca mais vá embora, para que meus olhos tristes possam dormir paz.
Que minha tristeza possa se dissolver na sua escuridão.
O deserto da minha alma é como uma noite estrelada.
Queria colher lírios no amanhecer se tudo fosse real.
Mais só se fosse real.
 

domingo, 11 de março de 2012

PRIMEIRO DIA DE UMA ETERNIDADE: Lágrimas e solidão


Era dez de março e o dia amanhecia frio e desconhecido, as nuvens nevoentas cobriam o céu, era só uma paisagem vista da janela de um trem, era só uma vida ausente que existia para aqueles olhos sem brilho, para aqueles olhos chorosos, que agora não enxergavam mais a cor do dia.
Não havia palavras. Só uma dor percorria aquela alma que era só uma passageira viajando pra qualquer lugar agora.
Ela era um navio perdido em alto mar, sem direções.
Ela estava morta e sua alma chorava olhando seu corpo inerte, ela queria chorar mais não podia, ela queria gritar mais não podia, era só uma alma em um mundo de vivos.
Sua vida, seus sonhos, eram destroços jogados no rio turvo  de água escura.
Quantas paisagens que foram mar, quantas paisagens que foram jardim, quantas paisagens que foram sonhadas para o futuro, sim foram tantas, e foram tantas descoloridas, como um sonho que se tornou pesadelo.
Era agora tudo um planeta desconhecido, sem água, sem luz, sem algum tipo de vida.
A moça desde que partira vivia num tempo distante e não tinha como voltar pra casa.
Havia um pomar onde todas as manhas os pássaros e abelhas faziam pouso, mais ela, somente ela, era uma árvore seca.
O seu coração só sabia chorar como uma criança que se perdeu da mãe no meio da multidão.
Seu coração não tinha pra onde ir.
Seu coração era um ser ferido que se debatia perdido mo meio de uma floresta escura.
Seu coração estava prometido, estava devotado somente a um ser.
Vivia com o singular acalento de esperar, esperar e esperar por um amor que talvez não volte nunca mais para os seus braços; e o adeus nunca se apague.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

UM OUTRO MUNDO - Perfumes e paisagens.



O jardim amanhecera desorganizado, tudo dava sinais de uma noite em festa, havia flores caídas e folhas jogadas pelo chão e as árvores estavam sonolentas, obedecendo calmas a brisa que a manhã trazia.
O vento parecia ter batido na porta quando o mundo ainda dormia.
Borboletas e os beija-flores não eram vistos naquele lugar, como se estivessem descansando em lugar secreto dentro da imensidão silenciosa da plantas.
Como será o sono de um beija-flor?
O jardim era uma história de criança, no jardim se decifrava um sonho.
Para recolher as coisas que noite deixara espalhada pelo chão, jardineiro começara sua habilidosa tarefa, também moldava o contorno de algumas plantas assanhadas que se mostravam vaidosas diante de mãos tão dedicadas, o que pensara o jardineiro ao cuidar da beleza delas?
Aos pés das árvores, das rosas e do jardineiro, se estendia um tapete de grama orvalhado, intensamente verde cintilando sob a luz do sol, de onde surgiam formigas que trafegavam já apresadas para cumprirem seus afazeres.
A brisa levemente fria da manhã deslizava fazendo carinho na pele da moça que recebia o calor da manhã, e assim tudo se misturava naquele jardim coberto de encanto, moça ou flor tudo exalava perfume.
Os aromas daquela manhã eram doces.
Cada rosa tem seu peculiar cheiro.
O jardim era uma perfumaria para aquela moça que, de olhos fechados, sentia todos os aromas invadir sua alma, num hálito puro que acontecia no instante de eternidade.
 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

INDAGAÇÕES AO SENTIR



PARTE 1

Onde ficou perdida a explicação dos sentimentos humanos?
Como compreender a voz sussurante da alma chamando pelo abraço do outro?
 Um olhar que faz arder o coração, sentindo a atração contida num aperto de mão.
De onde vem esse querer, essa vontade devorar ?
Em qual parte de nós estará contido segredo de Eros  e  Psiquê, em qual arca estará o pergaminho com as primeiras palavras de amor? Sendo Psiquê a alma,  Eros o amor, talvez essência e carne.
Busquemos esse princípio para a compreensão do agora, desse êxtase  contido na garganta que chama pelo nome, pelo desejo dos braços  querendo enlaçar outros braços no ardor da carne.
Será esse o destino do amor? O sofrimento? Será esse o sabor? O que queriam os povos das antigas civilizações em criar explicações para o amor eterno, como a história de Orfeu  que com encanto da sua lira desceu até o reino das sombras enfrentando multidões de fantasmas para ter sua amada Euridice de volta, Orfeu quando cantava em nome do seu amor, emocianava até os prórios fantamas e monstros, que força seria essa do amor?
Platão  na sua necessidade de descrever o amor  na criação do mundo, diz que no principio os seres humanos eram dois corpos em um,  tinham quatro braços e pernas  sendo assim a unificação do humano, Zeus jugando-as criaturas arrogantes e auto-suficientes decidiu  reparti-las, e espalhar suas metades em lugares distintos do mundo, diminuindo assim seu poder e felicidade. Desde então cada metade passou a ansiar ardentemente por reencontrar a sua metade,  numa busca eterna e incessante.  Será essa a explicação para a nossa procura do que muitas vezes, não sabemos o quê? 
Tentar ser um só no abraço, no calor do corpo, na convivência do dia-a-dia, amar sem deixar de acreditar que encontramos nossa metade. Isso tem sabor quando guardamos dentro sentimentos,  ilusões regadas, o sofrimento ou a legria de poder amar sempre. Em que tornaremos  esse desejo que renasce dentro, dentro de nós?
Amar é saber se sentir presente na intensidade do desejo. Bom é o sabor da descoberta, ancorando em terras não desbravadas, a sensação do primeiro toque na criatura amada.
Eu também sou o começo dessa coisa que está em mim, sou as primeiras palavras no corpo quase nu da minha vida, e amo a busca do amor. Tenho prazer em sentir.
Para o amor, digo:
Eu, você, metades dispersas procurando um aconchego para a carência.  Ainda não me enlacei na tua vida para senti-la  mais de perto, talvez pudesse ser minha unificação, ou parte dela. A sua enérgia me atraí.
Nossa vida é feita pela delícia das histórias vividas, lembradas com saudade. Estou escrevendo os primeiros rescunhos desse conto mas, também preciso das suas palvras para nutrir de inspiração esse meu romance. E agora te confesso em palavras nuas: preciso das suas mãos ardendo em desejo, da sua boca quente em noite fria, quero seu sangue agitado nas veias. Talvez desse romance ainda prematuro ainda com poucas linhas, eu seja as palavras sublinhadas com devoção.
Não quero sentir apenas o cheiro da chuva, eu quero a própria chuva caindo em mim.
Venha e se misture ao meu sangue.


Por Izabel Goveia

PARTE 2

Transcender, abusar, devorar, abocanhar, chocar-se, trair, amar, odiar, gozar, conversar, brincar, devorar, transcender novamente, flertar, apreciar, detestar, gozar mais... Voar, imaginar, escrever, pensar, gozar... Engolir, experimentar, gozar... Fugir, amar, trair novamente, odiar, gozar... Amar, gozar.
    Nascemos do gozo, e terminamos em pó. Quando tudo poderia ser ao contrário. De que adianta lagrimas da chuva, minhas ou tuas, ou mesmo fecundas cheias de vida, se tudo acabará em ruínas?
    Para que ser perfeito, se a perfeição humana não é eterna? A vida é uma aventura com o início decidido por outros, um fim desejado por nós, e tantos entreatos escolhidos aleatoriamente pelo acaso.
Zeus e Platão que me desculpem... Minha outra metade esta morta! E não fui eu que assassinei. Morreu vítima das histórias possíveis, das reencarnações passadas, das “distâncias” e dos contos de fada. Tento ressuscita-la em todos os momentos, mas parece que o tempo torna essa magia cada vez mais difícil, massageando minha liberdade e ego.
    Prefiro deste modo, encontra-la em todos os lugares, em todos os momentos, em todas as pessoas, em tudo. Minha outra metade é o universo, é um objeto, e eu simplesmente o amo. Pois o amor que tenho a ele é eterno, me dá prazer, e não é digno de perecer nas futilidades do dia-a-dia, no comodismo, e na monotonia, ele não vai me abandonar enquanto “eu” estiver vivo. Como isso sempre tem ocorrido até então, um prazer efêmero.
    Em meu intimo, em sua maior profundidade, sinto que o auge do meu livre-arbítrio seria negar a própria liberdade, assim sendo, o impossível... Ser livre para não ser.
    Mas há quem diga que é possível ser livre com outra pessoa. Neste caso, e apenas, para ressuscitar minha metade dispersa será necessário um longo ritual de magia negra. Preciso saber o que há de mais obscuro, para assim, tentar transcender. É doloroso, desejas? Destarte, de repente, no meio de uma frase ou movimento te surpreender.
-Como estou completo outra vez.
Não terás só a chuva, como também toda a “terra”, o possível, impossível, o acaso, a natureza, os sonhos, e uma liberdade nunca antes sentida, serei parte dela, estarei em ti... Realmente desejas?
Por Eduardo Correia



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

DEVOÇÃO E ALIMENTO – Semeando essências guardas


Seu coração alçou vôo como um retirante que fugiu da solidão. Ela se despediu para se encontrar no aconchego daqueles braços que lhe ofertavam não só um abraço, mas, o calor nas manhãs frias de inverno e afeto ao seu ao seu corpo antes do sono.
No decorrer dos dias tudo se descobria, se descortinava.
 E o amor era como um pomar repleto de cheiros e frutas para serem colhidas a cada manhã.
Éramos entrega.
Éramos fulgor.
Ardência de corpos.
Éramos o amor acontecendo delicadamente como a harmonia de uma sinfonia.
E assim a vida era uma criança inocente brincando de ser feliz.




sábado, 18 de junho de 2011

VIVO, QUANDO DISTANTE PARA AQUELES OLHOS


O vento daquele fim de tarde fazia uma criança brincar com seus próprios sonhos. A pipa voava liberta no céu dando vida aos últimos suspiros do dia que se despedira adornando o céu em tons  claros e nostálgicos. Todo fim de tarde se parece com uma despedida.
Despedimos-nos de nós mesmos, das nossas alegrias, nos despedimos dos nossos sonhos, e pensamos: mais um dia...
Assim com essa nostalgia não nos despedimos da saudade, ela sempre nasce no fim tarde e percorre nossa vida como se nada mais pudesse existir além daquele fim,  quando já não podemos mais fazer o que almejamos porque, o dia já morre e a noite é muito silenciosa para gritarmos nossos desesperos.
Quando o dia morre, pensamos na nossa própria morte e contemplamos os vestígios de claridade com mais amor e esperança de que eles voltarão e poderemos abrir novamente os olhos e o dia nos esperará.
Vivemos assim com olhos postos sobre a vida alimento um velho saudosismo que nos impede de não lembrar as paisagens contempladas e que hoje já existem longe demais para os nossos olhos, já cansados, alcançar quão grande é o seu esplendor.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

UMA CHUVA DE SENSAÇÕES – É SEMPRE PRECISO


E não foi só os olhos que choveram, toda a nuvem desabou em suicídio.
Com as árvores mortas a terra estava nua e fria.
E o ar silencioso cobria toda aquela noite com seu manto nostálgico.
Existia um mundo dentro daqueles olhos inundados, como um artefato antigo no fundo do oceano.
Na face nítida da noite existiam algumas estrelas pálidas em sono leve.
Mais ela sempre tão completa, sentia agora um estranho prazer no mistério daquela coisa que não só ardia na pele, mais também a encantava.
A moça descobria o segredo do sentir em ricos detalhes. Ela não era o ser que chorava, era a lágrima que escorria contando sua tristeza para face que se doava com devoção para aquela expressão encharcada.
E não foi só os olhos que choraram naquela noite, não foram só algumas lágrimas fugindo pelo canto dos olhos, todo seu ser comoveu-se e fez silêncio em respeito aquele coração que escurecia sem esperança de um alvorecer.
Os pássaros assustados voaram em plena madrugada.
Ela não sabia se as pálidas estrelas tinham morrido, ou se eram as insinuações do amanhecer que as ofuscavam.
Uma paz a entorpeceu novamente, sonhou perante os primeiros fulgores do dia.